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| Fonte: tumblr (autorx desconhecidx) |
Eu me lembro... Me lembro como se fosse ontem, estava andando cabisbaixo pelas ruas de São Paulo, sem rumo, até que aquela garota entrou em minha vida. Espere, foi ontem! Eu estava desolado, de coração partido e sem esperanças no amanhã. Foi aí que tropecei naquela garota, brilhante garota, cuja logo me desculpei.
Ela puxou papo e quando tomei conta já estávamos numa lanchonete tomando café e falando sobre a vida. Senti algo tão estranho, tão diferente, tinha esquecido de tudo, de todos os problemas, era como o mundo tivesse parado apenas pra eu ouvir aquela doce voz e observar aqueles admiráveis olhos. Sessenta dias se passaram, sessenta cafés se passaram e quando percebi já não passávamos um dia sem conversar.
Depois do trabalho, na hora de almoço, fim de semana, não havia compromisso que fosse mais importante do que passar um tempo com aquela musa que cruzou meu caminho. Lembro da cor de seus cabelos, do brilho de seus olhos, do aroma de sua pele e de suas admiráveis expressões quando reagia à surpresas.
Seis meses se passaram e já estávamos namorando. Foi algo tão novo, tão surreal, tão mágico. Cada segundo com ela era como uma infinita canção que me acordava a cada manhã, cada beijo era como um sentimento que não queria que acabasse nunca. Cafés se passaram, semanas se passaram, meses se passaram e cinco anos depois, casamos numa tarde nublada de julho. O orvalho nas plantas era tão presente quanto a vontade de nunca me separar dela, tão brilhante quanto seus olhos quando me olhavam apaixonadamente.
Pela primeira vez em minha vida me senti completo, realizado; era como se nada mais importava a não ser estar com ela e sentir seus batimentos cardíacos sincronizados com os meus. Eu me lembro, lembro do Natal na casa dos pais dela, do nascimento de nosso filho, do nosso décimo aniversário de casamento e de como ela gostava de ganhar rosas brancas toda semana, as quais eu deixava pontualmente cada quarta-feira em sua cama.
Lembro de quando quebrei seu vaso favorito, quando ela bateu meu carro, de nossa primeira briga. O tempo passou, aconteceu algo que desconheço e ela foi se afastando de mim; a cada gole de café, a cada rosa branca, a cada ano que passava. Houve uma hora que não haviam mais xícaras de café, rosas ou desejos de bom dia: ela me deixou.
Sumiu sem me dar nenhuma chance de me despedir, conversar ou de tentar resolver aquilo. Mas já se passaram trinta anos desde que a vi pela última vez e eu não me lembro mais de seu nome, seu rosto, o brilho de seus olhos, a cor de seus cabelos, o tom de sua voz ou o gosto do café, e eu me pergunto até hoje como pude viver por tanto tempo sem aquela que iluminava meus dias com sua existência. Minha respiração está mais fraca, meus batimentos mais lentos e eu daria tudo pra vê-la de novo.
Mas já é tarde demais.
Mas já é tarde demais.
texto: Eu Me Lembro
Reviewed by Luccas Emanuel
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novembro 23, 2015
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novembro 23, 2015
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