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| Foto Iz zy |
— Não dá mais.
— Só isso? A gente não vai nem conversar?
— Se acabou não precisa conversar nada.
— Então você acha que o que tivemos em quatro meses se resumem em apenas uma palavra?
As perguntas insistiam em existir apenas pra atrasar a certeza que já estava presente e já foi deveras adiada, até o extremo, a fim de não causar a dor que desde o início estávamos cientes que sentiríamos.
Ninguém
começa um namoro pensando no fim, assinando um contrato de separação total de
bens, amigos, memórias, vivências e boa noites, mas de certa forma todos
estamos inconscientemente cientes de que isso pode e um dia vai acontecer. O
ser humano não está pronto pra entender a beleza do fim.
Acabou. Ah,
como essas seis pequenas letras juntas conseguem resumir tanta coisa e nada ao
mesmo tempo? O que antes significava o mundo, hoje nem faz tanta importância assim.
Todos os passeios, sonhos compartilhados, medos, festas, viagens, sorrisos, as
vezes que acabávamos dormindo no telefone sem querer e as mensagens de bom dia,
tomar banho rápido pra chegar cedo e ter alguns minutos a mais da companhia do
outro, todos os planos, o dinheiro que estávamos guardando pra comprar os
móveis da nossa futura casa que já foram escolhidos, tudo, tudo... Acabou.
É engraçado
a forma que a gente chama essas coisas de móveis. Geralmente eles nunca saem do
lugar, principalmente os planejados. As vezes, com o passar de anos, a gente
muda uma coisinha aqui, outra ali, muda a cor, pra não enjoar, pra ficar mais
interessante, pra ser diferente. Mas a verdade é que no final das contas, acaba
tudo sempre sendo a mesma coisa; e está bom assim. As pessoas é que mudam. Elas
sim são móveis, o tempo todo. Mudam de jeito, de gosto, de cor, de estilo,
tamanho e formato. E isso não é uma coisa ruim, muito pelo contrário. A cada
segundo uma célula nasce, nos transformando sem que a gente perceba, e quando
nos damos conta já somos outro alguém. A mudança permite a evolução, a
felicidade, um ambiente novo.
Nosso amor
nunca foi planejado, mas encaixava tão certinho, cabia tão perfeitamente em
nossas paredes que parecem que foram feitos pra ficar lá mesmo, pra sempre.
Sabe, eu aprendi muita coisa contigo. Aprendi que o amor é muito mais do que
apenas beijos, abraços e sexo. Aprendi a valorizar cada momento que estávamos
juntos, mesmo que seja pouquinho. Um oi depois da aula, um beijo de boa noite,
caminhar juntos até a estação, que inclusive ficava do lado da faculdade, mas
nós sempre andávamos devagar e fazíamos um caminho enorme, apenas pra ter um ao
outro por mais cinco minutinhos. Finalmente entendi a conexão de almas, esse
sentimento que ultrapassa a vida, essa vontade incessante de ter-te ao meu lado
pra sempre. Apesar de tudo isso, acabou.
Eu queria te
agradecer por cada segundo que estivemos juntos e cada gota de perfume gasta
antes de cada encontro, colocada propositalmente apenas para servir de encanto,
um atrativo surpresa que se perde entre tantos outros que você tem. Eu queria
agradecer também pelas brigas. Inúmeras, brigas. Brigas tão presentes que
levaram a acontecer o que aconteceu hoje. De certa forma elas foram importantes
para meu crescimento, de tudo se leva um aprendizado, e quem sabe daqui a algum
tempo eu aprendo a ser menos orgulhoso. Espero que um dia você também tome
noção disso, porque eu não sou o único culpado. Talvez não exista nem culpados,
e de qualquer forma, em que isso muda? De que adianta ver quem é culpado, quem
errou, quem sofreu e vai sofrer? Acabou.
Não é nada
saudável querer controlar a vida do outro, e não adianta continuar tentando,
nos destruindo a cada dia, a cada não, a cada decepção. Eu só fico triste pelo
caminho que isso tomou. Pela primeira vez na minha vida eu encontrei alguém que
eu me sentia completo, realizado, alguém que me entendia e apesar das
incontáveis diferenças, estava lá. Me amava. Eu acabei me envolvendo mais,
amando mais, sofrendo mais, isso é verdade. Essas tantas diferenças se
revelaram cada vez com mais intensidade, até a hora em que a felicidade de um
condicionava a insatisfação do outro. Mas eu não posso ser injusto contigo e te
julgar também. Somos planetas de universos diferentes, e um eclipse assim foi
um milagre. Mas infelizmente graças a Deus acabou.
texto: Acabou
Reviewed by Luccas Emanuel
on
novembro 29, 2016
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