texto: Aquela Sala

Sala 02 do 1º andar da ETEC Carlos de Campos, registro de 2016. Foto: Luccas Emanuel.

E aí encontramos ela; escura, vazia. A luz solar transpassa a janela e as cortinas, sendo sua única esperança, iluminando as frias mesas que já não tem mais rabiscos e a lousa que agora não possui mais números, palavras ou desenhos. Daquela sala, que costumava a cada dia abrigar quarenta alunos, hoje só restam as memórias. Memórias de experiências lá vividas, impregnadas em suas paredes. Memórias de quarenta jovens adolescentes, de diferentes idades, que compareciam aquela sala pontualmente, contra sua vontade ou não.
Uns ficaram lá e logo se foram, outros compartilharam suas energias vindas de outras salas e outros ficaram lá durante sua jornada até a hora do último sino tocar. Aquelas quarenta pessoas que se conheceram, cresceram e viveram incontáveis histórias juntas, não visitam mais aquela sala diariamente, como antes. Cada um seguiu seu caminho. Uns gostariam de ficar, outros não viam a hora de sair; e aquela sala continua lá, parada, fria e vazia, sem poder fazer nada a respeito.
A luz está apagada e o ventilador não movimenta mais suas hélices, aquela sala não tem vida. Aquela sala, agora espera. Espera que alguém faça algo, espera ser visitada, espera quieta e solitária algo, qualquer coisa, que esteja por vir. Aquela sala se prepara, novamente, para receber mais quarenta alunos que nela viverão por três anos. Ela vai conhecê-los, guardar seus segredos e abrigá-los até que eles se partam, deixando aquela sala sozinha de novo. Aquela sala não sente tanta saudades de seus antigos visitantes quanto eles sentem para com ela. E de certa forma, eles sempre sentiram, mesmo sem saber. Mas aquela sala sabia, desde o início, que transformaria a vida de cada um que passasse por ela, assim como cada um transformou aquela sala, dando sentido à sua existência.
texto: Aquela Sala texto: Aquela Sala Reviewed by Luccas Emanuel on dezembro 09, 2016 Rating: 5

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