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| Foto: Connor Jalbert |
“Naquele dia, nada mais importava. Eu podia perder o ônibus, eu podia me atrasar para a escola, eu podia ser roubado, eu podia até ser atropelado. Não faria diferença. Nem pra mim, muito menos para os outros. O mundo se tornou cada vez mais superficial. Dormimos pouco, pegamos trânsito, damos duro, e tudo isso pra que? Pra no final do dia chegar cansado e repetir no dia seguinte a mesma vida chata? Estranho se sentir assim, logo no dia do aniversário, onde qualquer pessoa normal estaria feliz. Aliás, eu nunca entendi porque as pessoas comemoravam tanto o fato de estar mais próximo da morte. Por que a cada ano celebramos o 'ano novo' sendo que nunca fazemos nada para que ele seja diferente dos anteriores? Estamos a cada dia cultivando nosso suicídio. Nunca estamos satisfeitos, porém nunca fazemos algo para estarmos. Mas esse ano será diferente. Farei coisas que nunca tive coragem de fazer antes, irei a lugares que eu nunca fui e eu não vou mais me prender em um personagem que a sociedade considera normal, sendo que não representa quem eu sou de verdade. Vou falar o que penso, dizer coisas que eu nunca tive coragem de dizer e não deixar escapar uma oportunidade. Esse ano eu serei livre pra ser quem eu sou, sem me preocupar com o que os outros vão pensar ou dizer de mim. Eu serei livre. E nesse ano eu finalmente vou começar a viver. A viver de verdade. Mas há tanto a fazer... Por onde começo?”
Após criar tantos monólogos e questões existenciais dentro de sua cabeça, Derek buscou esquecer esses pensamentos e tentou se focar em apenas ir pegar o ônibus da escola, como qualquer garoto comum. “Mas será mesmo que as pessoas são apenas o que elas aparentam ser? Por que todos fingem estar tudo bem quando claramente não está? Por que todos fingem ser algo que não são apenas para agradar alguém? Por que as pessoas são assim? Talvez o estranho seja mesmo eu, imaginando algo que não existe, como sempre. A vida é tão entediante, o fantasioso é necessário.” O problema é saber diferenciar quando estamos vivendo na realidade e quando estamos vivendo a fantasia.
O ônibus de Derek chega a seu ponto enquanto o próprio desce as escadas, com ar indiferente que indica o quão desinteressado ele estava naquela viagem, que a propósito, o levava à escola. É o primeiro dia de aula do ano. Derek senta em seu canto, coloca fones de ouvido e começa a observar o mundo lá fora. Derek é um garoto diferente em comparação aos outros garotos de 16 anos, ele é bem mais reservado. Obviamente possui seu grupo de amigos com que passa sua maior parte do tempo, como qualquer um. No entanto, não é só isso que diferencia ele dos outros. Ele fica imaginando o que as pessoas fazem quando chegam em casa, como elas realizam certas ações, se as pessoas também pensam o que ele pensa... Às vezes ele tem pensamentos suicidas, às vezes ele pensa sobre o mundo, sobre a vida, mas ele nunca deixa de pensar. Ele se perde em milhares de pensamentos e às vezes ele sequer consegue raciocinar, em via de tantos pensamentos misturados, e às vezes até opostos sobre tudo e todos. Ele é uma confusão. [...]
//StartTheFlame
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Estava organizando meu computador e encontrei alguns arquivos bem antigos, como canções, fotos etc. O texto acima é o início do Capítulo 1 da ideia de um livro chamado "Start the Flame", que foi abandonado não muito tempo após ter sido criado (assim como muitos projetos meus). As únicas alterações que fiz no texto foram correções gramaticais. Me lembro que escrevi isso antes de dormir no bloco de notas do celular, aproximadamente em 2012/2013, junto com algumas ideias do que aconteceriam depois na história. É curioso olhar para projetos antigos porque de certa forma, são um reflexo de quem você era ou no que pensava na época que era desenvolvido. Tem um pouquinho de você, nem que seja fantasioso, nem que não esteja mais em quem você é hoje. As histórias tem sentidos diferentes para cada um que lê. Algumas coisas não precisam ter fim. Outras, já acabaram faz tempo.
texto: Start the Flame
Reviewed by Luccas Emanuel
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julho 26, 2017
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julho 26, 2017
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