![]() |
| Foto: Patrícia Cholakov (Projeto Um Olhar de Marte) |
Na minha saliva está guardado o elixir de minha existência, DNA que escorre carregando tudo o que não sei de mim. Em outro momento, percorre meu esôfago como importante engrenagem de um ciclo que está inserida. Um mesmo elemento passa pela insignificância e exaltação em momentos diferentes, não existe a morte, sucesso ou fracasso.
De repente, aproxima-se um material desconhecido, porém muito semelhante. O medo do próximo hesita em fazer contato por um instante. Usamos máscaras para nos proteger das pessoas e seus julgamentos e rejeições, ou para protegê-las de quem somos? Medo de causar dor, medo de ser ruim.
O medo de não viver grita mais longe. O medo de não ser, ou o medo de ser quem não é estava percorrendo minhas veias naquele momento. Os batimentos cardíacos aceleravam a medida que meus olhos se fechavam até se renderem à completa surpresa e prazer até então desconhecidos.
Nunca tomei atitudes, quebrando a barreira do novo. Mas o novo veio, chegou forte e maciço e de repente eu estava lá: sem reação. A fusão momentânea do DNA, despreocupada com qualquer coisa, me fez me sentir vivo. Por um momento, nada mais importava. Meu Deus, eu estava lá. Todos os medos, desejos, questões, dúvidas e esconderijos não eram mais necessários, derreteram.
Todos os sentidos se renderam à representação do eterno prazer momentâneo de ser. De experimentar, de descobrir. Quieto, sem saber e sem agir, eu estava gritando. Gritando tudo o que me prendia na escuridão, tudo o que fazia eu não me reconhecer ao me olhar no espelho. Finalmente, eu estava livre. Por um momento, não existiam mais medos. Não existia mais eu, não estava mais confortavelmente só. Só existia euevocê.
texto: o Beijo
Reviewed by Luccas Emanuel
on
agosto 04, 2017
Rating:
Reviewed by Luccas Emanuel
on
agosto 04, 2017
Rating:

Nenhum comentário: