texto: Épico Ordinário / reflexo

Foto:  Kelly Sikkema 

N A R C I S O

É estranho viver a vida em primeira pessoa. Ser roteirista da própria história é uma responsabilidade e tanto. Ainda mais em um ambiente abstrato, parcialmente enfermo. Psicológico. Existe uma dor, um peso em estar vivo. Não é incomum a rejeição da realidade. Muito esforço é feito no processo de compreensão da morte, mas eu tenho percebido que na realidade, o que a maior parte da humanidade teme é à vida. 

N E M E S I S 

Eu conseguia sentir a dor de sua presença centímetro à centímetro ao ponto que se aproximava de mim, e suas intenções eram claras. Seu canto de cisne rasgava cada parte de meu coração enrijecido que lutava por liberdade. Liberdade do eu, do ser, das consequências de um passado que eu prefiro – mas não consigo – esquecer.

M A Y A 

Não existe salvação divina ou isenção dos atos, a justiça sempre é feita. E a verdade neutra pode doer, simplesmente por trazer à tona os fatos. Não há auto-ilusão. Não deveria  haver. A falta de atitude nos faz cair em exacerbadas perdas de tempo, que poderiam ser muito mais produtivas. Ainda assim, ainda parece ser um passo comum e importante, de certa forma, uma vez que conduz para a percepção e desejo de mudança.

E G O

Nós humanos somos débeis, sucumbimo-nos à autossabotagem em um vitimismo inconsciente meramente por ter medo de si. Medo do que faz e cria a todo momento. Medo do próprio poder e capacidade, que trás consigo uma responsabilidade, por muitas vezes esquivada. Não existe uma folha que caia no chão sem que haja um propósito para isso, uma força que foi empregada para tal. Entretanto, nosso encargo costuma ser mais complexo que isso.

K A R M A

O ser humano precisa do outro. Não como uma suposta metade, não do outro eu, mas uma figura externa e completa. A evolução é pessoal, mas acontece em conjunto, o sucesso é medido quando compartilhado. O cuidado com a individualidade ainda se faz necessário, uma vez que não podemos viver como coadjuvantes de nossa própria história. Porém, se formos corajosos o bastante, podemos ser grandes o suficiente para (re)conhecer o próximo e enfim confiar novamente. A metanoia se faz necessária.
texto: Épico Ordinário / reflexo texto: Épico Ordinário / reflexo Reviewed by Luccas Emanuel on fevereiro 05, 2020 Rating: 5

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